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Saudade, substantivo feminino

Saudade é uma palavra interessante. A gente sempre escuta falar que não existe tradução de saudade pro inglês e acha o máximo termos uma palavra tão única no nosso idioma. Mas, você já parou pra pensar na dimensão desse sentimento?

 

No dicionário Priberam, a palavra saudade é definida como

 

“Lembrança grata de pessoa ausente, de um momento passado, ou de alguma coisa de que alguém se vê privado”.

 

Mas, se você mora fora do Brasil, sabe que não existem palavras suficientes pra descrever esse sentimento que aperta o peito.

 

A saudade não gosta de momentos felizes. Ou gosta. Às vezes, tenho dificuldade de entender se a saudade aperta mais quando estou feliz ou triste. Mas, sei que ela tem seus momentos mais queridinhos: manhãs, quando lembro do pão na chapa da padaria; aniversários, quando penso no abraço que minha avó me daria; feriados, quando imagino minha família reunida ao som de um bom samba; “dias de luta e dias de glória”, quando tudo que eu queria era o abraço da minha mãe.

 

Ela chega de leve, em forma de uma simples lembrança. Por um momento, penso que vai ficar tudo bem — é só uma lembrança saudosa. Aos poucos, aquela simples memória vai se transformando, enchendo o peito, inundando o coração e, por não caber dentro de mim, sai de dentro da alma de uma forma que não é nem tangível e nem intangível — lágrimas. A saudade é tão forte e persistente que só acaba quando fecho meus olhos e posso sonhar com aqueles que originaram esse sentimento.

 

A saudade também não sabe ser normal. Ela não sabe se ajustar a rotinas e horários. Não. Ela chega quando quer, e vai embora quando quer. Será que ela vai mesmo embora ou só fica escondidinha esperando nossa guarda baixar? Não sei. A saudade é cheia de mistérios.

Mas, uma das coisas que aprendi é que, com o tempo, você se torna “domador de saudade”, igual ao domador de leões do circo. Pronto, é isso: a saudade é como um leão — forte e instintivo, mas domável. Alguns dias, domar a saudade é mais fácil. Outros, mais difícil. Alguns dias você só a espera passar. Outros, você só se permite sentir.

 

A saudade é substantivo feminino. É ela. É mulher. É mãe. E, como toda matriarca, ensina. Me ensina a amar. Me ensina a apreciar. Me ensina a ser forte. E você? O que a saudade vem te ensinando?

Bruna Brito

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6 comentários

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  1. Obrigada por compartilhar seu pensamento.
    Linda mensagem para minha reflexão. Aproveitar ao máximo os momentos únicos como quem nos amamos.

  2. Que reflexão linda, Bruna! Pareceu muito um poema. A saudade me ensina que precisamos ser fortes e ao mesmo tempo que precisamos também nos permitir. Fortes para que ela não se transforme em depressão e nos permitir vivê-la/senti-la por nossa humanidade.

  3. Realmente a saudade é um negócio complexo de lidar e hora outra ela sempre bate a porta! Obrigada por compartilhar sua reflexão!

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