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QUEM SOMOS? 

Oi gente, meu nome é Valéria, moro em Winnipeg, no Canadádesde 2015 com o Luciano, meu maridoViemossemfilhos, mas desde o início do nossoplano de imigração o desejo de termosfilhos sempre foi o principal motivo de nosfazerdecidir de vezmorar no exterior.

Deixamos a estabilidade dos nossos empregosnossa zona de conforto, amigos e familiares em busca do desconhecidoem busca de iniciarmos nossa família em um país mais seguro. O Luciano veio com uma permissão de estudos e eu com uma permissão de trabalhoCheguei aqui com zero de inglêspassei e ainda passo por alguns perrengues por conta do idioma, mas hoje em dia consigo me virar razoalvemente bem nas situações do cotidiano  

Quando engravidei pela primeira vezem 2016, eu estava trabalhando full time durante o dia como housekeeper em um dos hóteis da rede Best Western e part time à noite como cleaner, e o Luciano estudava Heavy Duty Mechanic no Red River College, e trabalhava à noite part time em uma empresa privada de segurança. 

Decidi dividir eesse tópico em duas partes porque na minha primeira gestação fui acompanhada por um médico obstetra e na segunda gestação por uma midwife. Cada gestação tem suas particularidades e vou compartilhar com vocês como foi minha experiência em cada uma delas. Todos as informações que vou compartilhar com vocês se referem mais especificamente às regras aqui de Manitoba, podendo ser ou não semelhante em outras províncias, e claro sempre dando a minha visão e opinião pessoais 

 

PRÉ-NATAL EM MANITOBA 

Em Manitoba, o pré-natal é assegurado por meio do sistema público de saúde, como nosso status era legal e válido, nós não precisamos pagar nada pelas consultas, pelos exames e nem pelos partos ou internamento hospitalar, pois meu Manitoba Health Card estava ativo e regularizado. O acompanhamento pré-natal pode ser prestado por médicos da família, obstetras ou parteiras. Na maioria dos casos, a escolha do profissional é da gestante, as consultas do primeiro trimestre de gestação são feitas com o médico da família, que normalmente é um clínico geralou com uma enfermeira registrada. Se a gestante tem uma condição médica que coloca o desenvolvimento do bebê ou ela mesma em alto riscoela será encaminhada imediatamente para um obstetratão logo essa condição seja identificada 

partir do segundo trimestre as consultas passam a ser com o obstetra ou com a midwife (parteira). As parteiras estão aptas para acompanhar gestações que não envolvem riscos para o bebê ou para a gestante, a profissão é regulamentada e elas são absolutamente capacitadas para prestarem um atendimento humanizado e realizarem todo o acompanhamento no pré-natal, parto e até a 6ª semana do pós parto. 

 

mulher também pode escolher onde deseja dar à luz, dependendo de qual tipo de profissional que a está acompanhandoos médicos realizam os partos  nos hospitais; as parteiras assistem à mulheres nos partos hospitalares e domiciliares e aqui em Winnipeg também existe o Birth Centre (Centro de parto), que é um local preparado para pacientes que desejam o parto natural. O Birth Centre não é um hospital, não existe UTI, caso alguma intercorrência ocorra durante o partoa ambulância é acionada para transferir a mãe e/ou o bebê para o hospital (irei detalhar melhor na Parte 2). 

 

ENCONTROS PARA GESTANTES NOS CENTROS COMUNITÁRIOS 

Cada bairro possui um centro comunitário, e geralmente existem grupos de encontro para as gestantes daquele bairroParticipei desses encontros que eram semanais, sempre uma roda de conversa, com enfermeiras especializadas em amamentaçãonutricionistas e convidadoscomo bombeiros, doulas e outros profissionais que davam palestras sobre diferentes assuntosOs encontros duravam cerca de 1 hora e meia e eram uma maneira de ter contato com outras gestantes e tirar dúvidas com os profissionais ali presentes. 

 

MANITOBA PRENATAL BENEFIT 

governo de Manitoba oferece um benefício mensal em dinheiro para que as gestantes  tenham uma alimentação saudável durante a gravidez. Para ter direito ao benefício a gestante deve preencher um formulário de inscriçãofornecer um atestado do seu médicoconfirmando sua gravidez e a data prevista para o parto. O valor a ser recebido é baseado na renda familiar, podendo variar entre 10cad e 81,41cad por mês. 

 

PRIMEIRO TRIMESTRE DA MINHA GESTAÇÃO – BEBÊ COM SÍNDROME DE DOWN? 

No primeiro trimestre fui acompanhada pelo médico da famíliaapós fazer o teste da farmácialiguei na walk-in clinic e a atendente disse que eu poderia ir  a qualquer momento para realizar um teste de urina. Fui no mesmo dia e após 2 dias ela me ligou confirmando a gravidez e agendando a primeira consulta médica 

No dia da primeira consulta, a enfermeira fez uma longa entrevista e colheu todas as informações do meu histórico de saúde e hábitos, se eu bebiafumava ou usava algum tipo de entorpecente, se fazia uso de alguma medicação, se tinha depressãocirurgias anterioresinternamentosenfimuma investigação completa que demorou cerca de 40 minutos 

Na primeira consulta o médico solicita hemogramaexame de urina (que será  realizado em todas as consultas) e um papanicolau. As consultas são mensais até a 29ª semana de gestaçãoquinzenais a partir da 30ª semana e semanais da 37ª semana até o parto. 

Na minha terceira consulta, o médico conseguiu auscultar os batimentos do bebê e ao conversar comigo sobre os resultados dos meus exames disse que existia uma alta probabilidade de o bebê ser portador de Síndrome de Down, naquele instante eu não consegui controlar a minha emoção e desabei a chorar. Ele disse que no meu segundo exame de sangue foi detectada essa probabilidade e eu tinha a opção de fazer um teste diagnóstico para confirmar a presença da Síndrome ou simplesmente deixar a gravidez seguir sem realizar esse exame, que eu podia ir pra casa pensar e quando decidisse eu poderia ligar na clínica para dizer o que eu havia resolvido. Eu saí do consultório chorando muitotodo mundo sem entender e olhando pra mim, e eu  conseguia pensar que não tinha minha família aqui (mãe e irmã) para me ajudar pensava que eu e o Luciano não iríamos conseguir passar por tudo isso longe da nossa família. 

Depois de me acalmareu e o Luciano conversamos e eu decidi fazer o teste diagnósticoa amniocenteseeu queria muito confirmar, pois decidimos que caso o resultado fosse positivovoltaríamos para o Brasil, para perto da nossa família e teríamos nosso bebê Ligamos no consultório e aguardamos a chamada para a realização do exame. 

Em dezembroquando completei a 16ª semana fui chamada no hospital para o aconselhamento e realização do exame. Nesse momento a enfermeira explica como é realizado o procedimento e os riscos de aborto por ser um procedimento invasivo. Eu assino um termo dizendo que estou ciente de tudo e vou pra sala realizar o exame que é guiado por ultrassom. O médico introduz uma agulha bem fininha através da nossa barriga e colhe uma amostra de liquido amniótico. No dia 23 de dezembro recebemos a ligação e o resultado foi negativo, o bebê não era portador de Síndrome de Down. 

 

ACOMPANHAMENTO COM OBSTETRA 

atendimento com o médico obstetra ficou muito próximo do que eu  esperavaeu  havia lido sobre pré-natal aqui no Canadásobre os exames, as consultas, e não criei muitas expectativas de acolhimento por parte do obstetraentão não me senti frustrada ou qualquer coisa do tipo. As consultas eram muito rápidasapenas para ouvir os batimentos do bebêmedir minha pressão arterial, verificar meu peso, e receber as guias de exames